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sábado, 28 de novembro de 2009

Um retrato por uma moeda


Igreja Matriz de Guarulhos- Catedral Nossa Senhora da Conceição, na Praça Teresa Cristina, Gurulhos. Ao lado direito, o etílico "calçadão" que é freqüentado pelos alunos que "cabulam aula na faculdade". (bons tempos)


Se o Sketchcrawl é a maratona do desenho, há dois finais de semana eu realizei sozinho uma meia maratona. O domingo amanheceu chovendo. Com os primeiros raios do dia houve também as primeiras trovoadas. Este clima preguiçoso permaneceu assim até por volta das dez horas da manhã quando o tempo mudou radicalmente. Acho que o deus da chuva saiu para passear com a sua família e me deu um pouco de luz.

Foi então quando estive a tarde na Praça Teresa Cristina para fazer alguns desenhos de observação. O centro de Guarulhos é basicamente a rua Dom Pedro que não é muito estensa terminando na porta de uma igreja, a chamada Igreja Matriz. Na outra extremidade é o término da avenida Monteiro Lobato, em um local conhecido como ponto do relógio. Alí existe um ponto de ônibus que é muito cheio durante a semana e bem no centro de uma bifurcação em "te" há uma ilhota com um relógio bem grande, porém muito feio. Hoja a rua Dom Pedro foi transformada em um grande calçadão e que no domigo atarde fica praticamente deserto.

Neste domingo haviam algumas pessoas de passagem, uma mulher mal vestida que se não fosse prostituita não sei o que alí fazia, dois senhores que para mim eram os empresários da garota e um morador de rua. Em certo momento vieram os empresários falar com a garota com um terceiro senhor, aparentemente falava em espanhol. Não sei o que conversaram e sairam de cena. Eu estava ali perto sentado, em frente a loja Riachuelo desenhando a Catedral Nossa senhora da Conceição, a dita Igreja Matriz.


É interessante ver a interação que pode haver com os moradores de rua. Estava sentado no calçadão da rua Dom Pedro desenhando, quando se aproximou um senhor que era morador de rua. Ele veio na minha direçao, passou perto e ficou observando o que eu estava ali fazendo com ar curioso. Quando olhei ele desviou a atenção fazendo parecer que estava alí ao acaso. Há vários minutos eu havia percebido o interesse dele e até separei uma moeda caso pedisse ajuda.

Planejei fazer diferente. Se ele me pedisse dinheiro eu diria que não, mas compraria uma pose para um retrato. Penso que arrumar um trabalho seja mais útil que dar esmola. Seria uma troca justa, eu teria um retrato e ele um dinheiro. Na empresa que trabalho eles fazem o mesmo, mas eu que saio com o dinheiro e eles com o fruto do meu trabalho. Infelizmente ele não pediu e quando terminei o desenho o senhor já estava indo ao longe no calçadão. Perdi um retrato mas não a boa intenção.

Depois ainda fui até o Pincanço desenhar a enorme e famosa caixa d'agua e na Timóteo Penteado parei em frente a melhor cantinas da cidade de Guarulhos a Giovanni.

O artista não deve ser egoista guardando riquesas, deve doar a sua maior riquesa. Não deve se fechar ao mundo, deve se expandir com o mundo. Há tantas pessoas simples morando nas ruas mas que podem ter conhecimento riquissimo para o nosso trabalho. A inspiração não tem data e nem marca local para vir. Mas quando vem descobrimos que os seus caminhos são os mais surpreendentes. A arte é um meio que impulsiona o artista a verdadeira igualdade, liberdade e fraternidade, ai me recordo de uma frase e faça então uma rogativa, "Senhor, não sou digno que entreis a minha morada, mais direi uma só palavra e serei salvo"...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Sketchcrawl em Guarulhos


No sábado passado, dia 21 de Novembro, rolou o SketchCrawl reunindo desenhistas urbanos em mais de 90 cidades ao redor do mundo. Alguns grandes grupos se reuniram nas cidades de São Francisco (EUA), Londes , Paris (França), Seattle (USA), São Paulo dentre tantas outras. Aqui em Guarulhos participamos eu e a minha filha e escolhemos para o evento o Bosque Maia , que é na minha opinião é o mais bonito e arborizado parque da cidade.  A minha filha tem somente seis anos e já conto com ela nestes eventos.


Igualmente verde,  existem nas imediações do parque algumas ruas arborizadas, como as avenidas Paulo Faccini, Salgado Filho, algumas travessas entre estas duas avenidas e até a Praça do Ipê. A Paulo Faccini é um bom lugar em Guarulhos para se comer, com alguns restaurantes e a noite bares.

Este é um cenário bem cuidado pela municipalidade e ótimo para a produção artística. Após o encontro, digitalizei os trabalhos e os organizei em uma galeria na Web . Esta se tornou parte integrante de uma galeria maior que estou montando chamada de A chuva e o tempo .

Mais eventos como este virão e serão anunciados aqui no meu Blog. Quem tiver interesse de participar é só me mandar um e-mail ou uma mensagem pelo Twitter ou Facebook .


Veja a galeria A chuva e o tempo


Obrigado a todos os amigos que apoiaram, a comunidade Internacional, ao Gabriel Campanário do Urban Sketchers ao Saulo Dias do 2veis1 e a Aline Fonseca do blog Cultura Guarulhos

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Aquarela de um Dálmata

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Quando eu era pequeno o meu pai trouxe para casa uma cachorra Dálmata. Ela se chamava Laica e quando veio não era mais filhote, devia ter aproximadamente um ano de idade. Ela era muito tranqüila e dócil. Não teve filhotes, apesar de termos tentado cruza-la com outro cachorro da mesma raça. Gostava muito daquela cachorra.  Acho interessante quando algumas lembranças do passado retornam em fatos completamente novos. Hoje tenho outro cachorro Dálmata chamado Tom, mas este é bem diferente da Laica. O Tom é um espoleta!

No sábado passado procurei executar um trabalho que há algumas semanas planejava, era uma pintura em aquarela do Tom. O resultado é este que aqui apresento. Também aproveitei a ocasião para documentar os principais passos para auxiliar aqueles que gostariam de aprender a pintar em aquarelas.

Passo-a-passo

Como o meu cachorro é muito agitado não consegui fazer um trabalho de observação, pois ele gosta de correr, pular e brincar.  Então a minha melhor alternativa foi apelar para uma fotografia de referência. Pintar por uma imagem é algo que sempre evito, pois perde-se o contato com a realidade. A fotografia sempre será uma reprodução, não a realidade. Ao menos o cachorro estava na porta do estúdio, para eu observar.

Abri a fotografia no computador - vamos preservar a natureza evitando impressões desnecessárias –, comecei a delinear a lápis o espaço no papel que seria utilizado, também acertando a composição, as formas, as sombras e as luzes.  Sempre devemos fazer um estudo prévio, mesmo que um simples esboço a lápis. Isso ajuda no enquadramento e geralmente utilizo um grafite HB.

Depois deste planejamento, marquei onde estariam as luzes que eram as partes do papel que não deveria pintar.  Estas áreas são as mais importantes pois o aquarelista não utiliza tinta branca, simplesmente deixa parte do papel sem pintar. Esta é uma das principais características da aquarela.

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Primeiro pintei uma camada de sombra bem transparente e gradativamente apliquei outras mais intensas. Para a primeira cor de sombra do pelo utilizei uma mistura de preto com azul cobalto e um pouco de amarelo ocre para esquentar a sombra. Cuidado ao utilizar a mistura de azul com amarelo ocre pois o resultado é verde!

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Nas sombras mais escuras eu acrescentei um pouco mais de preto e azulcom pouca água. Para as pintas utilizei o preto, azul cobalto e carmim. O resultado é um tom escuro e bem quente. Aproveitei o mesmo e fiz outros detalhes, como os olhos e o nariz do cachorro.

No fundo utilizei uma cor mais escura, para ressaltar a luz. O alto contraste é um artifício interessante, deixando as luzes muito intensas.

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Pintar este trabalho foi bem rápido, não gastei mais que trinta minutos, contudo a preparação para ele ocorreu em um pouco mais de três semanas. Após a fotografia fiquei pensando como iria resolver e então quando parei para pintar tudo foi muito rápido, só precisando fazer um esboço de referência.
A aquarela é uma técnica que há muito aprecio e já há alguns anos venho treinando. Este foi o meu estudo de número #360, ainda restam mais quarenta até eu chegar na meta das quatrocentas aquarelas.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Uma manhã cinza e tranquila no Bosque Maia

Placa de sinalização no Bosque maia

Trabalhos com tintas e linhas soltas é algo que tenho feito com certa intensidade. Não que seja o meu estilo preferido, ou a estética que busco. Mas é algo que me deixa solto, libera a minha mente e o meu traço. Gosto de trabalhar a céu aberto. Neste trabalho estava sentado em uma praça em frente ao Bosque Maia, em Guarulhos.

 

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Algumas fotos do Local - Bosque Maia - Guarulhos

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O Catador de Recicláveis

catador_reciclaveis

A cidade de São Paulo possui aspectos belos em suas linhas arquitetônicas, dos prédios do estilo do começo do século vinte e também dá harmonia das linhas retas e limpas do estilo moderno. Nos bairros de Moema e alguns outros bairros nobres da zona norte, a arquitetura é acompanhada por ruas arborizadas e perfeitamente limpas. Mas o belo é acompanhado por um lado triste, porem digno nesta grande cidade que é São Paulo.

Em certas ocasiões, andando pela cidade percebo trabalhadores puxando uma grande e pesada carroça com rodas de automóveis e feitas com ferros. São os catadores de recicláveis que outrora eram simplesmente chamados de "Catadores de Papelão". Eles percorrem as ruas e recolhem qualquer material jogado que possa ser reciclável. Depois levam este material a um depósito e recebem algum dinheiro.

O quilo de cada material tem um preço. O papelão é barato e para juntar um quilo é preciso muitas caixas. O alumínio é valioso e se conseguir vender muitas latinhas de refrigerante dá um bom dinheiro. Eles também recolhem plásticos, vidros e outras quinquilharias que para ninguém mais serve. Isso garante algum dinheiro. Alguns trabalham em ruas movimentadas, outros moram na periferia, como nos bairros parque dos Pinheiros, jardim Fontális e tantos outros.

O catador é geralmente uma pessoa solitária. Alguns não possuem um lar para se abrigar nas noites de chuva e de frio, e isso os obriga a procurar albergues para passar a noite, ainda assim, quando encontram vaga. Estão sempre em companhia de um cachorro vira-lata, que anda lado a lado com a carroça e somente pede um pouco de água e de comida. É o fiel companheiro do catador de recicláveis.

Qual é o futuro destes trabalhadores? Acredito que nem eles o sabem. Mas o trabalho do catador de recicláveis é digno, porém, pouco remunerado. Eles retiram das ruas o lixo que pode ser reciclados, garantem matéria prima barata para as indústrias e poupam os recursos naturais do planeta. Assim também, vão de papelão por papelão, ou de latinha por latinha garantindo o seu limitado sustento e também do seu cachorro.