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domingo, 16 de maio de 2010

Estação da Luz passo a passo

A criação de um trabalho artistico ocorre em quatro fases distintas que envole o artista e o deixa preso em seu estudio por horas sem perceber nem cansar. Quem de nós nunca varou uma madrugada buscando uma forma ou finalizando um belo trabalho?
O estudo é fundamental para a boa execussão de qualquer trabalho. Um engenheiro civil faz uma planta antes de iniciar uma casa, o orador faz um estudo preliminar antes de ir ao palanque e o ator ensaia a peça antes de abrir as cortinas. Todos estes aprenderam que o improviso raramente cria a obra prima, mas em algumas situações específicas o improviso quebra uma situação que seria óbvia.
Listando as fases da criação de uma obra de arte, temos as seguintes etapas:

·        Apaixonando pelo tema
·        Estudos no local e em estúdio
·        Desenvolvimento do trabalho
·        Finalização

Estar apaixonado por um tema é fundamental para o bom resultado. Não é produtivo fazer sem gostar e se você trabalhar em algo que não gosta é provael que não conseguirá aproveitar ao máximo a sua técnica. A paixão cria um estado mental no artista que impulsiona a criação, as idéias fluêm e a técnica se torna intuitiva.

Para os meus estudos eu utilizo um sketchbook, que é prático, portatil e cabe em qualquer lugar. Desenho no local, observando a cena sem intervir, registro tudo o que vejo. Depois levo estes estudos para o estúdio. Ai inicia a fase mais solitária, feitas nas madrugadas com uma boa chicará de chá ou café.

No estudio, durante o desenvolvimento seguimos um ritual de etapas, cada uma sucessiva a outra, listadas abaixo em seis passos. São eles:

·        Imprimatura da tela, aplicando uma camada preparatória de primer acrilico ou um tom base aguado.
·        Aplique o cor base do tema. Isso é muito importante para a semelhança de tons.
·        Risco dos traços básicos para referência, para você não se perder na pintura. Pode ser feito com uma cor semelhante ao fundo ou carvão vegetal.
·        Primeiras camadas. Em acrilico geralmente são mais aguadas. Aqui também são delineadas e pintadas as sombras.
·        Camadas intermediarias. Pode ser uma sobreposição de camadas aguadas ou então criando uma camada cada vez mais espessa.
·        Camadas de finalização, aqui aplicamos todos os brilhos e aqueles detalhes que fazem a obra saltar a vista.

Estes são o meu passo a passo para a pintura deste quadro, da estação da luz. Feito em um painel de cinqüenta centímetros.




quarta-feira, 24 de março de 2010

Tempestade Verde


Peça, acrílico sobre papel, enviada para a Itália,
para a amiga Maura Di Giulio


O azeite de oliva é um ingrediente da culinária de várias culturas. O Azeite extra virgem já foi considerado aqui no Brasil da alta gastronomia, mas agora pode ser encontrado em qualquer mercado com um preço bem acessível. O azeite é considerado um ingrediente saudável, ou então, menos nocivo que os óleos comuns, e está na mesa de quase todo Brasileiro. 
Já o petróleo é um combustível fóssil altamente poluente e de aparência negra. Na cidade italiana de Abruzzo há uma discussão entorno da extração de petróleo. Os habitantes desta cidade não desejam que esta atividade seja parte da economia local. Discussões completamente a parte, encaminhei este trabalho para uma exposição que irá ocorrer no dia 18 de Abril, naquela cidade Italiana e que irá corroborar com o tema, “Não há petróleo em Abruzzo”.  Mais detalhes - Convocatória





Detalhes da peça ilustrativa “Meu Brasil Brasileiro”, colado no envelope remetido, e o selo “Lumière Art”.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Imprimatura de papeis

Nós até conhecemos as dificuldades para se trabalhar com a pintura acrílica sobre papel.  Diferente das telas de algodão ou linho, que a superfície de pintura é bem resistente, o papel sempre terá uma tolerância menor ao esfregamento insistente sobre sobre sua face, pelas próprias características de fabricação, ele pode se esfarelar ou rasgar.


O pintor quando atinge uma maturidade da técnica acaba fazendo menos retoques para chegar ao resultado desejado, pois ele é mais preciso. Na aquarela exercito sempre ser mais assertivo na aplicação das cores, para não haver muitos retoques, já no acrílico eu acho interessante buscar a perfeição, dentro de alguns limites da secabilidade da tinta. Tenho percebido a baixa resistência dos papeis não somente naqueles de baixa qualidade, o mesmo me ocorreu com os da francesa Canson. 


Um experimento que estou tentando no tratamento da superfície é aplicar uma fina camada de gesso acrílico diluído com água sobre o papel, esperar a secagem e aplicar uma segunda demão não diluída. Esta técnica é muito semelhante a imprimatura feito nas telas de algodão e linho. 


Alertaria ainda que esta técnica visa aumentar a resistência do papel para os trabalhos mais intensos, mas devemos ter em mente que plasticamente o resultado não será o mesmo que o acrílico sobre um papel virgem.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Inspiração e sensibilidade na arte abstrata

No ultimo sábado, dia 22/08 tive o imenso prazer de almoçar com o Alexandre Villas Boas, que é um amigo de longa data, blogueiro e artista plástico ativo no cenário de Guarulhos e São Paulo. O encontro aconteceu por acaso na fila de um Self-Service que eu e a minha esposa costumamos comer, onde a comida é saborosíssima. Além do tradicional assunto educação, pois o Alê, a Carla e a minha esposa são educadores, todos presentes, discutimos algumas questões da arte contemporânea.

Há mais ou menos cinco anos o Alexandre me presenteou com este trabalho, chamado Entorno (2002), que gosto muito e que para ele possui um significado muito grande, sempre comenta. Por linhas gerais é um abstrato mas com pontos de significação intrínsecos em formas fortes e curiosas em primeiro plano, não toleráveis ao pensamento tradicional cartesiano, mas abertos por outros paradigmas. Hoje parei para refletir sobre abstrações e alguns sentidos.
Talvez a abstração possa ser uma abertura para idéias não tangíveis, ou pontos compreendíveis por linhas de sensibilidade. Alguns psicólogos talvez apelariam à subconsciência, mas particularmente acredito que esta resposta é demasiadamente simplista para esta discussão tão ampla. Fato seria que abstrações não deveriam possuir significações, mas como tornar isso verdade quando o artista se encontra em dado momento de sua vida e circunstância o impulsionam à criação? A sensibilidade aguaçada do artista torna-o capaz de captar outras fontes inspiratórias, que ele traduz em curvas e tons.
Ainda recordo o comentário da minha mãe sobre esta pintura sobre madeira. Ela é partidária da arte decorativa e muito relutante às abstrações como artefatos de arte. Ela não gosta nada do trabalho e o preferiria com pouco destaque. Ele ficou muito tempo exposto em destaque na minha sala e nesta ocasião onde foi mencionado o comentário, o Alexandre comentou que o coração da minha mãe é sincero.

Ainda fico e defendo a sensibilidade, que é a parte primeira e essencial à inspiração. A sensibilidade é a capacidade de sentir, como um sensor, que quando ligado fica receptivo a determinado estímulo. Seria mesmo assim, então, a arte realmente percebida somente pelos iniciados? Acredito que não exclusivamente, mas algumas são mais fáceis que outras.

Detalhe do trabalho

sábado, 29 de agosto de 2009

Teste de estabilidade de pigmentos


Há algum tempo tenho duvidado da qualidade de alguns materiais que utilizamos, em específico na questão da estabilidade do pimento, que é utilizado na fabricação das tintas. Nas lojas brasileiras temos materiais importados que são bem caros e certificados, algum material de fabricação nacional de boa qualidade e várias marcas baratas conseqüentemente duvidosas.

O pigmento não estável é aquele que desbota em contato prolongado com a luz, ficando com aparência de tinta lavada. Todo tipo de pigmento tem certa tolerância a luz. Alguns resistem por mais de quinhentos anos e outros com somente um ano já começam a perder a tonalidade original. Como poderia saber antes de empregar uma determinada tinta ao trabalho? A maioria das tintas importadas informam em uma tabela referência a resistência a luz (que não deve ser compreendida como transparência que é uma outra questão) e algumas mascas de nacionais também informam a resistência. Para o restante, a dúvida será muito produtiva.

Utilizar materia de baixa qualidade quando se está estudando pode ser justo para viabilizar o aprendizado, mas é necessário saber quando deveremos migrar para um material mais qualificado, a menos que queiramos ver a nossa obra ir se deteriorar com o passar dos anos. A durabilidade de um trabalho não é uma questão primordial , contudo, quanto mais tempo ela resistir ao tempo, melhor. Seguindo a dica de alguns amigos, montei uma tabela teste com algumas amostas que tenho certeza que irão desbotar e outras que cruzo os dedos para permanecerem como estão.

Conforme a imagem abaixo montei amostras com a mesma quantidade de tinta e água, com pinceladas espelhadas em uma folha de papel Canson Acid Free. Recortei a tabela em duas partes, a primeira deixei pendurada na parede do meu estúdio em um local bem iluminado mas não recebendo diretamente a luz do sol. A outra metade guardei na mesma pasta onde estou deixando os trabalhos deste ano, sem entrar em contato com qualquer tipo de luz.



Este teste será longo, pretendo deixar a metade exposta à luz por mais de um ano, e a cada mês comparando o estado de cada parte. Acredito que depois de um ano já da para ter uma boa idéia da qualidade de cada material e saber se foi bom negócio utilizar cada um deles.

A lista do material que estou testando é a seguinte:

Tinta da China Marrom Acrilex
Tinta da China Vede Acrilex
Nanquim trident
Aquarela Van Gogh (Talens)
Nanquim oriental em Barra
Tinta para Canetas Parker
Aquarela Rembrandt (Talens)
Tinta Acrílica Galeria (Winsor&Newton)
Aquarela escolar Pentel